Princípios de Composição da Paisagem

Ives Goulart

Atualizado em

Em continuação à série de artigos sobre introdução ao paisagismo, hoje veremos os Princípios de Composição. Para entender melhor este capítulo, sugerimos que você leia antes:

A sensibilidade e a imaginação são os fundamentos básicos de qualquer obra de arte. O paisagista utiliza a criatividade e a sensibilidade para elaborar sua obra de arte em função do meio ambiente. Os princípios básicos da composição são:

1. Mensagem:

Como em toda obra de arte, deve o artista, ao compor o jardim, transmitir ao espectador uma mensagem emotiva. Para que o jardim expresse algo emotivo ao observador é importante e necessário que os elementos nele utilizados, por suas linhas, formas, cores, texturas, sons e aromas, também proporcionem reações emocionais.

2. Unidade e Variedade:

A unidade em um jardim se consegue quando sentimos que todo ele forma um conjunto harmônico e não existe nenhum elemento supérfluo ou em discordância. A unidade só é conseguida em todas as características dos elementos, seja em suas linhas, formas, volumes, espaços, proporções, nas cores e na soma destes fatores.

Casa e Árvores
Casa e árvores de porte proporcional
Foto: Oracio Alvarado

3. Proporção:

É a correspondência de uma parte com o todo ou entre os elementos relacionados entre si. Para um prazer visual é necessário que os objetos guardem entre si uma proporção harmônica. Também se deve mencionar que a proporção ou relação entre os tamanhos pode afetar o equilíbrio.

4. Ritmo:

O ritmo é a disposição inteligente dos elementos. Ele pode ser obtido através da repetição de formas, pela proporção de tamanhos e por movimento de linha contínuo. Lima (1999) menciona que o ritmo é como a repetição cíclica de um mesmo elemento ou composição de espaço em espaço.

5. Equilíbrio:

É a estabilidade que se determina quando forças opostas se encontram, se compensam e se destroem mutuamente. O equilíbrio essencial para qualquer projeto é responsável pela sensação de estabilidade oferecida por uma composição presente no campo visual. O equilíbrio se classifica em simétrico ou estático e o assimétrico ou dinâmico.

Estátua de Jardim
Estátuas, laguinhos, árvores esculturais,
todos podem se tornar centros de
interesse no jardim
Foto: Mark Fosh

6. Centro de Interesse:

Em toda paisagem deve haver um elemento de destaque que atraia a atenção e desperte um sentimento de admiração e prazer. Se considera um centro de interesse uma representação de um componente ou elemento de grande peso visual e conceitual. É um ponto para o qual se deseja atrair a atenção do observador.

Vários centros de interesse, de peso visual semelhantes, quando visíveis ao mesmo tempo podem gerar divisão, confusão. Para isso o número de focos ou detalhes observados de cada ponto de vista deve ser cuidadosamente planejado.

7. Contraste e Analogia:

O contraste se obtém quando se colocam juntos objetos com características opostas em linha, tonalidade, textura, forma e cor. O contraste é o valor dos elementos e aumenta sua potência, variedade e profundidade. O contraste não é uma discordância.

A analogia é uma mescla de características mais próximas, assim como reunir duas cores vizinhas ou dois tons próximos.

8. Dominância:

Significa que em uma composição de um jardim deverá haver sempre um elemento principal que superará os outros elementos aplicados. O princípio de dominância pode ser aplicado a todos os três atributos ou dimensões da cor, tonalidade, o valor e a intensidade.

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Sobre Ives Goulart

Ives Clayton é engenheiro agrônomo, mestre em herbologia e analista da Embrapa Florestas.

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