Moscas-dos-fungos – Fungus Gnats

Raquel Patro

Atualizado em

Quando pensamos em “fungus gnats“, a primeira idéia que vem a mente, é que estamos lidando com uma doença fúngica ou algo semelhante. No entanto, fungus gnats é a expressão em inglês que significa “mosquito-dos-fungos”. Esse aparentemente inocente mosquitinho pode provocar sérios danos nas suas plantas, principalmente mudas jovens, e se você cultiva cogumelos, seu efeito pode ser devastador.

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Larva de Sciarídeo. Foto de James K. Lindsey

Os mosquitos ou moscas-dos-fungos, como também são conhecidos, tem esse nome pois suas larvas se alimentam de fungos presentes no solo e na matéria orgânica. Eles pertencem principalmente às famílias Sciaridae, Keroplatidae e Mycetophilidae. Mas para nós jardineiros, é importante que conheçamos os mosquitos da família Sciaridae. As larvas destes mosquitos não ficam contentes em se alimentar apenas dos fungos, elas apreciam também se nutrir das raízes e capilares das nossas plantas. E neste ato, além do dano direto propriamente dito, elas ainda favorecem e inoculam as plantas com diversos fungos e bactérias (como Pythium, Botrytis, Verticillium, Fusarium, Thielaviopsis, Cylindrocladium e Sclerotinia) que podem causar sérias infecções.

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Fêmea realizando a postura. Foto de Katja Schulz

O mosquito adulto é minúsculo, de cerca de 2 a 4 mm, ele tem asas escuras e longas antenas, com um vôo meio atrapalhado. Ele vive cinco dias apenas, o suficiente para a reprodução. Eles não se alimentam das plantas, mas espalham seus ovos por aí, e levam consigo os fungos prejudiciais, contaminando solo e plantas. Cada fêmea fertilizada faz a postura de aproximadamente 150 ovos. Após 3 a 4 dias, nascem as larvinhas. Elas tem o corpo transparente, cabeça preta, atingem de 5 a 12 mm de comprimento e seu desenvolvimento é de 14 dias. Ao passear pela superfície do vaso vai deixando um rastro melequento, como se uma mini lesma tivesse passado por ali. Quando são muitas, esses rastros chegam a formar um emaranhado.

As moscas-dos-fungos muitas vezes passam desapercebidas. O jardineiro nota sua planta definhando, mas dificilmente culpa as mosquinhas, pensa logo que a planta ficou doente ou que alguém colocou o olho gordo. Elas tendem a aparecer quando há matéria orgânica abundante e umidade, o mesmo tipo de ambiente que favorecem os fungos. Assim, alguns tipos de plantas acabam sendo vitimados com mais frequência do que outros. Cactos e suculentas dificilmente serão acometidas, mas plantas carnívoras, orquídeas, violetas, e tantas outras plantas que apreciam umidade, podem acabar sendo vítimas dessas mosquinhas incômodas.

As medidas de prevenção e controle podem incluir:

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Isca amarela adesiva. Foto de Ich
  1. Utilizar adubos orgânicos sempre bem curtidos e compostados. Não coloque cascas de frutas ou restos de legumes sobre o solo. Da mesma forma, jamais aplique estercos não curtidos nos canteiros.
  2. Veja se as plantas toleram que o solo seque superficialmente entre as regas. A secagem entre os intervalos de rega é bastante eficaz no controle do mosquito. Esterilizar ou pasteurizar o solo e substratos antes de fazer novos plantios (30 minutos no forno quente – todo o solo deve aquecer por igual, atingindo 80 a 100ºC);
  3. Manejar a irrigação de forma a não ocorrerem excessos.
  4. Favorecer a luminosidade e a ventilação entre as plantas e vasos (reduz os fungos e atrapalha o vôo dos mosquitos, além de favorecer a secagem do substrato).
  5. Manter o ambiente e as plantas livres de sujeiras, como folhas, flores e frutos mortos, pois eles servem de substrato para fungos e mosquitos-de-fungos.
  6. Colocar cobertura inerte sobre os vasos, como areia, pedrisco, perlita, lona plástica, etc, desencorajando a postura dos insetos adultos.
  7. Manter plantas carnívoras por perto como Droseras, Filiformis, Byblis e Pinguicolas.
  8. Em cultivos hidropônicos manter sempre os equipamentos livres de algas.
  9. Utilizar armadilhas adesivas amarelas que ajudam a controlar e monitorar o problema.
  10. As armadilhas com vinagre podem ser um pouco controversas, pois apesar de matar os insetos, acabam exercendo um forte atrativo para o local, ou seja, você controla as moscas, mas está continuamente atraindo elas.
  11. Polvilhe canela sobre a superfície dos vasos. Elas tem ação fungicida e controlam os fungos que servem de alimento ao Fungus gnat.
  12. Polvilhe diatomita (terra de diatomáceas) sobre a superfície dos vasos. O contato e a ingestão da micropartículas de silício presentes neste material, acaba provocando desidratação e lesões no tubo digestivo dos insetos, agindo assim como um inseticida não venenoso.
  13. Inseticidas piretróides em solução aquosa aplicados sobre o substrato, podem ser utilizadas com cuidado. Lembre-se de utilizar luvas e se proteger. Mantenha as plantas assim tratadas longe do alcance de crianças pequenas ou animais domésticos e jamais aplique sobre hortaliças, flores ou frutos. Proteja sua saúde, o meio ambiente e os insetos benéficos.
  14. Entre as opções alternativas estão a Calda de fumo com um pingo de detergente e a solução de uma parte de peróxido de hidrogênio (Água oxigenada 3%) para quatro partes de água (realize testes antes de aplicar em todas as suas plantas).
  15. Em cultivos mais amplos, podemos lançar mão de controles biológicos, como o nematóide Steinernema feltiae. Este nematóide aprecia o mesmo tipo de ambiente do mosquito. Ele ataca tanto a larva como a pupa do inseto, proporcionando níveis de controle de até 90%. Da mesma forma, o ácaro predador Stratiolaelaps scimitus também pode ser usado para controlar as larvas do mosquito-dos-fungos.

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Sobre Raquel Patro

Raquel Patro é paisagista, especialista em plantas ornamentais e fundadora do site Jardineiro.net. Desde 2006, desenvolve um trabalho aprofundado em botânica aplicada e jardins, reunindo um dos maiores acervos de jardinagem em língua portuguesa. Hoje, atua com consultorias e projetos paisagísticos baseados na escolha criteriosa de espécies e na longevidade dos jardins.

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