Hormônios Vegetais: As Auxinas

Charles Darwin
Nessa série de artigos, você vai conhecer um pouco mais sobre os hormônios vegetais e a aplicação prática deles na produção vegetal. Pra começar, vamos entender um pouquinho sobre o conceito de hormônio vegetal: Nas plantas, os hormônios tem um efeito de regulação do crescimento e desenvolvimento das plantas. Eles são também chamados de fitohormônios, para diferenciar dos hormônios animais que já conhecemos. O conhecimento sobre os hormônios das plantas é super recente e pouco se sabe sobre eles. Por outro lado, é provável que nos próximos anos, muitas descobertas neste sentido sejam realizadas.

Os primeiros hormônios que vamos falar são as auxinas. As auxinas foram os primeiros hormônios de crescimento estudados, e sua descoberta foi feita por Charles Darwin, juntamente com seu filho Francis Darwin. Eles colocaram diversos tipos de plantas, sob uma luz que vem apenas de uma direção, e observaram que o lado que ficava sombreado, crescia mais do que o lado que era iluminado, fazendo com que a planta crescesse em direção à luz.

Assim, aos poucos vamos entendendo quais as funções destes hormônios. A principal ação das auxinas é a de crescimento, por alongamento celular. Também concluímos que este hormônio tem um comportamento fotofóbico. Ou seja, ele é difundido na direção oposta da luz. Na prática, isso explica porque as plantas que recebem luz de apenas um lado, crescem tortas em direção à luz. Pois o lado contrário, acaba recebendo mais hormônio de crescimento, entortando a planta em direção à luz.

Conhecendo essa propriedade das auxinas, lembramos que devemos girar regularmente as plantinhas que crescem próximo a uma janela, para que elas não cresçam tortas.

Devemos girar as plantinhas que ficam na janela, para que não cresçam tortas. Foto de Maja Dumat
Outro papel fundamental das auxinas diz respeito à dominância apical. As plantas respondem com maior crescimento, a um nível crescente de auxina, até alcançar um determinado ponto. Quando passa deste ponto, o efeito é o contrário, ou seja, elas tem seu crescimento inibido, como pode ser visto no gráfico. Há um nível ótimo de auxina, para se obter um bom crescimento.

As auxinas são produzidas em todos os órgãos das plantas, mas essa produção é muito maior na região dos meristemas. Ou seja, nas gemas de crescimento. E dentre as gemas de crescimento, a que mais produz auxina é a do ápice caulinar. Essa gema, na ponta do caule, produz tanta auxina, que chega a ser um excesso. Este excesso se difunde para baixo, e inibe o crescimento das gemas laterais dos ramos, mantendo elas em dormência. Assim acontece a dominância apical. Quando cortamos a gema principal, a planta pára de crescer em altura e as gemas laterais podem crescer livremente. Esse conhecimento é a base para muitas técnicas de jardinagem, como o beliscamento, além de diversas podas de formação, tanto de pequenas plantas herbáceas, como de árvores frutíferas. Em frutíferas, o corte da gema apical, produz uma ramagem mais baixa, facilitanto a colheita por exemplo. Ela é útil também para a produção de estacas e alporques, assim, como técnicas de bonsai, espaldeira, e outras.

Além desse papel de crescimento e dominância apical, as auxinas também são importantes para o desenvolvimento de caules, raízes, frutos e sementes. Dentre as auxinas, a mais frequente no reino vegetal é o Ácido 3 Indolacético (cuja sigla é AIA). Além desta forma, são encontradas outras formas naturais, e como as auxinas tem uma estrutura química relativamente simples, os cientistas foram capazes de sintetizar uma série de moléculas com atividade auxínica. Como o ácido 1-naftaleno-acético (ANA) e o ácido indolbutírico (AIB). Estas auxinas sintéticas são largamente utilizadas como hormônio enraizador. Geralmente vendidos na forma de talco, com eles podemos estimular o enraizamento de estacas e alporques. Obtendo sucesso na propagação de plantas, que de outra forma seria muito difícil, como é o caso da jabuticada. Quem já experimentou fazer estaquia ou alporquia de uma jabuticabeira sabe do que eu estou falando. Essa espécie demora bastante para enraizar naturalmente, mas com o uso dessas auxinas sintéticas, o processo é muito mais fácil e menos demorado, com um índice de pegamento muito maior. Além da jabuticabeira, podemos facilitar o enraizamento em muitas outras espécies, simplesmente aplicando uma dose dessas auxinas sintéticas.

Ácido Indolacético
Na multiplicação in vitro, através da propagação meristemática, as auxinas tem também um importante papel, quando desejamos induzir o desenvolvimento de raízes ou folhas nas plantas. Como as auxinas promovem o crescimento dos ovários e a formação dos frutos, eles podem se desenvolver de forma partenocárpica, com a aplicação deste hormônio, ou seja, sem a polinização, com a utilização de auxinas. Produzindo frutos sem sementes, como melancias, tomates ou uvas. Essas auxinas são utilizadas também para fazer o raleio químico dos frutos, produzindo frutos maiores e reduzindo a alternância entre as produções em laranjeiras, macieiras, pereiras e oliveiras. Ao invés de termos uma produção grande num ano, e uma baixa no outro ano, temos produções mais regulares e com frutos de melhor qualidade.
Elas são usadas também na produção de flores, aumentando o tempo de duração de brácteas em Bouganvílias e a duração após a colheita de flores de lisianto, por exemplo.

Outras auxinas sintéticas como o ácido 2,4-diclorofenoxiacético e o ácido 2-metóxi-3,6-diclorobenzóico (conhecido comercialmente como Dicamba) são utilizadas como herbicidas. Esses herbicidas estimulam o crescimento da planta a um ponto em que ela não consegue suprir com a produção de nutrientes e acaba morrendo. Elas são utilizadas como herbicidas seletivos, pois as gramíneas não são tão sensíveis a elas. Assim, ao aplicar uma auxina destas em um gramado infestado com trevos por exemplo, os trevos acabam morrendo, enquanto a grama permanece normal. Estas auxinas podem ser perigosas para o meio ambiente e tóxicas. E mesmo que a gente aqui entenda como é o funcionamento delas, devemos sempre procurar a orientação de um engenheiro agrônomo qualificado antes de interferir assim com a natureza, pois poderemos estar prejudicando nossas plantas, nossa própria saúde e o meio ambiente.

No próximo artigo da série, vamos falar de giberelinas. Até lá.

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