Cultive brotos em apenas 5 Passos

Brotos de Girassol. Foto de R. B. Boyer
A busca crescente por alimentos mais saudáveis, pouco processados e livres de agrotóxicos faz com que as pessoas procurem alternativas de como cultivar suas próprias verduras. Mas com a vida agitada nas cidades e o pouco espaço disponível, fica difícil e pouco prático criar uma horta bem ensolarada e com solo de verdade. O cultivo de brotos, no entanto, torna essa tarefa possível, além de bem mais fácil e divertida.

Os brotos são riquíssimos em sais minerais, vitaminas, fibras e outros tantos nutrientes importantes. Também possuem poucas calorias, o que os tornam perfeitos para aos que precisam perder uns quilinhos. Cultivá-los é muito mais que uma alternativa, é sim uma nova filosofia de alimentação e vida saudável. Isso sem falar que são saborosos, delicados, com uma textura levemente crocante e vão bem em saladas, sanduíches, ensopados, cozidos, vitaminas e uma infinidade de preparações, uma mais deliciosa que a outra. Cultivando-os em casa, você os terá sempre fresquinhos e disponíveis para o consumo da família. Vamos começar?

Um belo sanduíche com broto de alfafa. Um caldo com macarrão oriental e broto moyashi e um delicioso wrap com broto de repolho roxo. Fotos de Mick, Rowena e Geoff Peters.

Passo 1: Escolha as sementes

Escolha bem suas sementes. Foto de Leslie Seaton
Diversos tipos de grãos, leguminosas e sementes podem ser germinadas e até mesmo virar brotos. A diferença entre o grão germinado e o broto é que este último germinou até apontar as folhas, que podem inclusive ficarem verdes, devido à síntese de clorofila. Para ser um grão germinado, basta que ele inicie o processo de germinação, emitindo os primeiros sinais de crescimento do gérmen.

  • Abóbora
  • Aipo
  • Alfafa
  • Amaranto
  • Amendoim
  • Amendoas Doces
  • Arroz Integral (não pode ser parboilizado)
  • Aveia
  • Brócolis
  • Castanha
  • Cevada
  • Centeio
  • Cominho
  • Couve
  • Ervilha (inteira)
  • Feijão Azuki
  • Feijão Carioquinha
  • Feijão Fradinho
  • Feijão Moyashi ou Mung
  • Feno Grego
  • Girassol
  • Grão-de-bico
  • Lentilha
  • Linhaça
  • Mostarda
  • Nozes
  • Painço
  • Quinua
  • Rabanete
  • Soja
  • Trevo
  • Trigo
  • Trigo Sarraceno

O ideal é começar com os mais clássicos, de sabor já conhecido e fáceis de germinar, como trigo, girassol, lentilha e feijão mung por exemplo. Com o tempo, o legal é ir experimentando, inserindo novas opções e descobrindo sabores diferentes. O importante é fazer testes. Você pode gostar de cultivar alguns, se adaptar bem com o processo e não gostar de outros. Ao mesmo tempo, o sabor de uns podem lhe agradar mais, enquanto outros nem tanto.

Grão-de-bico germinado. Foto de Sarah R
Perceba que alguns grãos são mais apropriados para o consumo na forma germinada apenas, enquanto outros são melhores e mais nutritivos se evoluídos até brotos. A forma de consumo de cada grão também pode variar bastante. Alguns são excelentes em refogados, enquanto outros são ideais para sucos verdes.

Ao comprar sementes para hortaliças, como couve, brócolis, cenoura e rabanete daqueles pacotinhos próprios para jardinagem, atente muito bem para a embalagem. Muitas contém defensivos químicos bastante tóxicos, que são adicionadas às sementes para prevenir pragas e doenças. Adquira as sementes livres de agrotóxicos e preferencialmente orgânicas.

Antes de colocar os grãos para germinar, certifique-se de escolhê-los muito bem, eliminando pedras e sujidades, além de grãos doentes, carunchados ou quebrados, que podem prejudicar o desenvolvimento de todo os restante.

Passo 2: Escolha o recipiente

Vidros de conserva cobertos com gaze. Foto de Lenore Edman
Muitos recipientes podem ser aproveitados na germinação de sementes. Desde “sprouters”, que são germinadores específicos, até simples potes de plástico adaptados. O ideal é que o recipiente possa ser esterilizado e que seja de material inerte e reaproveitável, como o vidro por exemplo.

A idéia aqui é criar um ambiente controlado, como uma pequena estufa, onde poderemos dispor de umidade e temperatura controlada, criando assim o ambiente perfeito para a germinação. Outro ponto importante é que seja fácil de adicionar água e escorrer esta água das sementes. Por isso é indicado a utilização de potes, onde possamos colocar algum tipo de tela no local da tampa, ou até mesmo uma tampa que possa ser furada para criar este efeito. Use sua criatividade e monte seus próprios recipientes, usando potes de plástico ou vidro reutilizados, peneiras, meia calça, telas de tules, gaze, etc.

Passo 3: O acordar

Os grãos que utilizamos para germinar são sementes de uma nova vida. A natureza colocou em cada uma, um pequeno embrião que se encontra dormente e muita energia para que esta vida possa se desenvolver plenamente até que possa produzir seu próprio alimento, como todo vegetal. Assim sendo, dentro de cada semente há carboidratos muito complexos e gorduras de cadeia longa e ramificada, que é a forma molecular de guardar muita energia em pouco espaço.

Quando a água hidrata esta semente, ela começa a acordar. Diversos processos enzimáticos se iniciam, e começam a transformar aquelas gorduras e carboidratos complexos em formas mais simples, liberando assim energia para a nova planta que vai germinar. Todo este processo, torna os grãos germinados tão mais fáceis de digerir que os grãos secos. E é o que explica por que feijão que deixamos de molho antes de cozinhar é bem mais digestível do que aquele que cozinhamos diretamente, sem este processo.

Escorra bem as sementes a cada vez e deixe-os respirar. Kate Ter Haar
Da mesma forma, muitas vitaminas passam a ser sintetizadas, tornando estes grãos ainda mais nutritivos. Como eles agora estão ricos em água e uma parte da sua energia está sendo consumida nestes processos, eles se tornam menos calóricos.

Adicione até 30% do volume do recipiente com os grãos bem escolhidos e lave-os por pelo menos 5 vezes, apenas com água limpa, preferencialmente do filtro, agitando bem em cada lavagem e rejeitando a água suja. Após a lavagem, encha o recipiente com água até cerca de 80% e deixe assim de molho, para que hidratem bem por cerca de 8 horas. O tempo de oito horas é uma regra geral, que serve para a maioria dos grãos, mas alguns podem ter particularidades, fique atento e pesquise sempre cada espécie.

Neste tempo, os grãos vão inchar e acordar, dando início ao processo de germinação.

Passo 4: A germinação

Depois de passadas as oito horas de hidratação das sementes, escorra esta água e adicione água limpa novamente, escorra e deixe o recipiente virado, ou seja, com a parte telada ou vasada para baixo, em ângulo de cerca de 45º.

Dispostos assim, os grãos se mantém úmidos, sem estarem encharcados. Além disso, permite-se desta forma que as sementes possam respirar, realizando trocas gasosas com o ar circundante. Esta etapa é fundamental, pois ao respirar, as sementes dão continuidade aos processos enzimáticos da germinação e evitamos o crescimento de bactérias anaeróbias que poderiam provocar o apodrecimento das sementes.

Encha seu recipiente com água pelo menos duas vezes ao dia, escorrendo logo em seguida, mantendo a tela para baixo, no mesmo ângulo de 45º. Isso manterá suas sementes limpas e em pleno desenvolvimento. Aproveite a oportunidade para acompanhar as transformações que começam a ocorrer e remova quaisquer grãos que esteja muito atrasado ou que mostre sinais de que há algo errado, como escurecimento anormal, mofos, ou outro sinal de apodrecimento.

Passo 5: A colheita

Vidros com tampas próprias para germinar evidenciando grãos de trigo com a raiz apontando. Foto de cheeseslave
O tempo de germinação pode variar de uma espécie para outra. Mas via de regra, assim que se observar a emissão da raiz ou nariz (como é muito comum de se dizer) eles já podem ser consumidos. Algumas leguminosas, como feijão, soja e ervilha é indicado que se deixem crescer de 8 a 10 dias, pois estas espécies tem alguns ativos antinutricionais que podem ser tóxicos se consumidos crus. No entanto, se eles forem cozidos, podem ser consumidos desde o apontamento da raíz.

Alguns grãos possuem casca dura e desagradável, sendo necessários descascá-los para o consumo.

Para desenvolver a cor verde em alguns brotos, é legal deixá-los tomar um pouco de luz solar, para assim sintetizarem clorofila.

Outros podem ser deitados sobre um leito de húmus de minhoca, e deixarem se desenvolver em brotos maiores, como o trigo por exemplo. Apesar de ficarem fibrosos para saladas, eles ainda são ótimos para sucos verdes.

Se não forem plantados em solo comum, com o tempo, os grãos germinados passam a amarelecer. Neste ponto, não é interessante consumi-los.

É bom saber que quanto mais tempo deixados crescer, os sabores podem ser modificar. Alguns podem se tornar mais picantes, outros mais fibrosos. Aqui vale experimentar mais uma vez.

Freie o crescimento e fenecimento dos grãos germinados, colocando-os em saquinhos ou potes fechados na geladeira, onde se conservam por mais ou menos 3 dias.

Aproveite essas dicas e comece hoje mesmo sua alimentação viva, com os grãos que você tiver na dispensa.
Boas colheitas!

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