Como tratar manchas nas folhas das Orquídeas

Infecção bacteriana em orquídea. Foto de Scot Nelson
As orquídeas costumam ser plantas resistentes, que dificilmente ficam doentes. No entanto, todo orquidófilo em algum momento já se deparou com este problema uma ou outra vez. O artigo de hoje trata especificamente sobre manchas foliares, aquela doencinha chata, que muitas vezes parece não afetar muito a planta, mas que acaba com a estética. Muitas orquídeas podem até continuar florescendo normalmente, com a doença progredindo de forma lenta. Ainda assim, o melhor a fazer é tomar medidas de prevenção e tratamento o mais rapidamente possível. Uma pequena e simples mancha pode ser lenta no começo e se espalhar com velocidade depois, estragando não somente uma orquídea, mas muitas vezes o orquidário todo.

As causas:

Orquídea com manchas características de doença fúngica. Foto de Forest & Kim Starr
Manchas foliares em orquídeas podem ser causadas por fungos, bactérias, vírus, cicatrizes de picadas de insetos e até mesmo por queimaduras, causadas pelo sol ou por respingos de produtos químicos. É importante ter em mente qual a causa mais provável, pois cada caso é um caso. E antes de sair tratando suas plantas com agrotóxicos, é melhor ter certeza ou quase certeza do que se trata, para não desperdiçar energia, dinheiro e intoxicar suas plantas já fragilizadas à toa. Portanto foque na investigação inicial.

De maneira geral, doenças fúngicas e bacterianas são oportunistas e surgem quando há um longo período chuvoso, excesso de regas, ou outro fator que impede a boa drenagem do substrato das plantas. Aliado a isso, está muitas vezes a baixa ventilação e iluminação deficiente.

Como prevenir:

Este Oncidium está apresentando numerosas manchas que podem ser compatíveis com doença fúngica ou viral. Foto de Scot Nelson
Como qualquer outra doença, há fatores que facilitam sua instalação. Por isso, abaixo vão algumas dicas para manter suas orquídeas protegidas contra muitas doenças:

1. Compra consciente: Além de observar a beleza da flor, verifique também todas as outras estruturas. Se a planta está bem firme no substrato e se há manchas de qualquer espécie nas folhas, pseudobulbos e raízes. Observe com atenção também o verso das folhas. Levar uma planta doente para casa pode ser o começo de uma verdadeira epidemia e é mais comum do que parece.

2. Faça quarentena: Jamais coloque uma planta recém chegada junto com as outras do orquidário, independente da origem desta planta. Mantenha em local semelhante mas afastado, para que se adapte e tenha tempo de mostrar alguma infecção latente que ocasionalmente possa tê-la acompanhado. Observe-a de perto por pelo menos 40 dias.

3. Esterilize os materiais: Tesouras, pás, hashis, canivetes, estiletes, vasos, e todos os materiais que você utiliza em suas orquídeas devem ser esterilizados entre cada planta. Assim você limita a transmissão de doenças por ferramentas contaminadas.

4. Mantenha um bom espaçamento: Resista à tentação de deixar suas orquídeas todas juntinhas ou umas penduradas sobre as outras. Um adequado espaço entre elas, garante boa ventilação, além de reduzir a disseminação de pragas e doenças por respingos de irrigação ou contato de folha com folha.

5. Mantenha o orquidário limpo: Nada de folhas espalhadas sobre as bancadas ou no chão do orquidário, nem mesmo limo cobrindo o vidro da estufa. Remova estes detritos para evitar a contaminação. E cuidado: folhas doentes não devem ir para compostagem. De preferência enterre-as e cubra com cal.

6. Tenha um bom manejo: Plantas saudáveis e bem nutridas dificilmente ficam doentes, pois tem um sistema de defesa eficiente. Assim, tenha um esquema de regas, podas, reenvase, pulverizações preventivas e adubação bem organizado. A iluminação, ventilação e umidade do ar também devem ser ideais. Portanto verifique as necessidades de cada espécie e agrupe-as de forma que sejam semelhantes e assim o manejo fica mais simples.

O registro de chuvas e irrigação é parte componente do Planner de Jardinagem.
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Como tratar:

O fogo é uma boa forma de esterilizar tesouras e outras ferramentas metálicas. Foto de Alberto Frigo
As orquídeas não possuem a capacidade de regenerar as próprias folhas. Portanto, não tenha dó e corte a parte afetada com uma boa margem de segurança. Ou seja, corte além da parte saudável que está em torno da mancha, pois muitas vezes o agente causador da doença já está se espalhando pelos tecidos, mesmo que a planta não tenha demonstrado os sintomas. Se necessário corte a folha inteira. Faça um corte limpo, com canivete, tesoura (apenas para orquídeas de folhas finas e macias) ou estilete bem afiado, nada de faca de serrinha.

Cortou? Ótimo, faça uma pasta cicatrizante misturando canela em pó à babosa natural ou óleo mineral puro, que pode ser comprado em farmácia. A pasta deve ter uma boa consistência, bem grossa, e se necessário vá adicionando mais canela à mistura. Aplique com um cotonete, cobrindo todo local do corte. A canela é um excelente cicatrizante vegetal, assim como a babosa, e possui substâncias antifúngicas e antibacterianas que vão ajudar a tratar a ferida.

Se a mancha for pequena e circunscrita, você pode parar por aí. Leve a planta a um local separado das outras, reduza as regas por algumas semanas e veja como ela se comporta. Se houverem várias manchas, além dos cortes, pode ser necessário lançar mão de um fungicida de ação tópica ou sistêmica, e até mesmo a limpeza do substrato. Os fungicidas tópicos simples podem ser encontrados em lojas de jardinagem. Para orquidários maiores, casos graves ou orquídeas de elevado valor, a consulta com um engenheiro agrônomo é fundamental, para orientar o orquidófilo no manejo com as plantas e receitar um medicamento apropriado, além de instruir na segura aplicação do mesmo.

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