As Cores no Jardim

Miriam Stumpf

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Trepadeira-mexicana
Foto: Rita Barreto

Aprendemos na escola o disco das cores, onde as cores puras chamadas de primárias são o azul, o amarelo e o vermelho e as secundárias as cores combinadas destas, originando verde, violeta e laranja. Juntando uma primária e outra secundária poderemos ter contrastes e harmonia, como por exemplo, vermelho e verde, e azul e verde, respectivamente. Mas o que tem isto a ver com jardim? Veremos a seguir.

No paisagismo trabalha-se com formas, estruturas, texturas e cores de plantas e ambientes. As árvores e arbustos podem ter uma forma definida, como os juníperos em forma de lápis, o flamboyant que parece uma sombrinha e outras plantas que podem ter formas irregulares, como a abélia (Abelia grandiflora), o hibisco (Hibiscus rosa-sinensis), etc. A textura de folhas, tamanho, forma e coloração, tudo deve ser atentamente estudado para fazer projetos paisagísticos

Porque não falamos de flores? Porque a flor acontece num curto período da estação, poucas são as plantas de floração contínua, então podemos dizer que a flor é o prêmio, o bônus, que a planta prepara para nós. Sua forma e cor é um espetáculo planejado, o acorde da música que emociona, a jóia que complementa. Mas não se pode basear o paisagismo por elas. No resto do ano teremos formas, textura e coloração de folhagens. Podemos ter flores o ano todo no jardim? Sim, faz parte de um projeto bem elaborado inserir árvores, arbustos e herbáceas de florescimento sazonal de uma forma orquestrada, onde cada parte do jardim poderá ter a sinfonia do florescimento.

E como fazer um espetáculo bonito, sem miscelânea de cores, cansativo? A partir do estudo das cores. Quando olhamos um maciço verde de vegetação, qual a cor que chamaria mais a atenção e daria um toque alegre, chamativo, não seria o vermelho? Lembre-se, o vermelho é o complementar ou oposto do verde no disco das cores. Mas, se houver muito vermelho e laranja (suplementar e cor próxima), numa overdose destas cores, o jardim ficaria com muito contraste, entre flores e folhagem, acabaria cansando. Ele pode e deve ser dosado, de forma a apenas surpreender.

Mas e o resto das flores que queremos inserir, como seriam? Brancas, rosadas, diversas gamas do rosa ao púrpura, por exemplo, lembrando que a floração delas não acontece ao mesmo tempo. A coloração da folhagem também faz parte desta idéia, num conjunto todo verde, a inserção de folhagem avermelhada deixa menos monótono este maciço de plantas.

Assim, como esta combinação, outras podem ser feitas, todas baseadas no disco das cores e sua teoria. O uso de cores suplementares torna o jardim mais harmônico como as folhagens variegadas de branco ou creme. Também o uso de flores brancas, pois o branco é como a água, universal e de uso sem erro. O jardim ficará monótono? Não. Mas se achar que está meio monocromático, que tal um vaso com anuais em tons fortes contrastantes, de amarelo, laranja ou avermelhadas? Daria um toque surpreendente e poderia ser trocado a cada estação.

Para estudar as cores, procure livros de pintura em aquarela, com textos explicativos, ajudará a tirar dúvidas para a aplicação em projetos de jardim. Seus trabalhos terão efeitos surpreendentes e somente um expert entenderá a fonte de suas idéias, daquele estudo escolar da teoria das cores, antigo e simples.

Texto: Miriam Stumpf

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Sobre Miriam Stumpf

Engenheira Agrônoma e Paisagista, Miriam é sócia na Cattleya Assessoria e Consultoria, empresa de Porto Alegre que faz projetos de paisagismo, dá cursos na área e realiza o gerenciamento de produção para agronegócios voltados ao cultivo de plantas ornamentais e medicinais.

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