Dossiê: Adubação foliar de jardins

Foto: David Joyce

A adubação foliar é vista ainda como uma técnica de nutrição complementar à adubação via solo. Este tipo de adubação é mais comumente utilizado na agricultura em produções como as de arroz, café, soja, laranja, entre outros. Já para as plantas ornamentais, aquelas que se utilizam em paisagismo, o uso atualmente é ainda restrito a algumas espécies de bromélias, suculentas e orquídeas.

Nesta técnica, os adubos solúveis são administrados via pulverização sobre a parte aérea da planta, incluindo folhas, frutos e caules. A forma correta de aplicação previne diversos problemas como perdas de adubos ou queimaduras nas folhas das plantas, além de otimizar a absorção e consequentemente o aproveitamento dos produtos, com melhor resultado para as plantas.

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As principais vantagens da adubação foliar são:

  • As doses para aplicação são menores do que as aplicações no solo. Os nutrientes aplicados via foliar são rapidamente absorvidos pelas folhas das plantas, corrigindo as deficiências ou evitando que as mesmas se manifestem – as plantas absorvem cerca de 90% do adubo, sendo que uns elementos são mais assimiláveis que outros, enquanto isso, o adubo colocado no substrato perde cerca de 50% de sua eficiência – minutos após a aplicação do adubo, ele completa uma primeira fase de absorção e no fim de algumas horas chega às raízes. Além disso é perdido por complexações com coutras substâncias do solo, e lavado por lixiviação;
  • Aumenta o aproveitamento dos adubos colocados no solo, principalmente os NPK, pois as plantas terão maior capacidade de absorção;
  • Podemos distribuir facilmente os adubos de maneira uniforme e garantir a aplicação em cada uma das plantas;
  • Pode-se aplicar o nutriente específico na fase em que a planta apresentar maior demanda deste, isto é, nos momentos mais críticos (crescimento, floração, frutificação);
  • Respostas à aplicação dos micronutrientes são quase que imediatas e conseqüentemente as deficiências podem ser corrigidas durante o crescimento;
  • Suspeitas de deficiências podem ser facilmente diagnosticadas por meio de testes, apenas aplicando o nutriente via foliar. Se a planta melhorar sabemos qual era o problema, caso contrário podemos continuar pesquisando por outras possíveis causas;
  • Ajuda a recuperar plantas que esteja com o sistema radicular comprometido, mas ainda possuem as folhas como uma forma de absorção de nutrientes, como em orquídeas convalescentes por exemplo.
  • Estimula o metabolismo vegetal devido à rápida absorção e utilização dos nutrientes, o que proporciona estímulo na formação de aminoácidos, proteínas, clorofila, etc.
  • Permite o fácil acesso à parte aérea de nutrientes pouco móveis via xilema como Boro e Cálcio por exemplo. Ou seja, mesmo que estes nutrientes estejam no solo, eles dificilmente chegam a parte aérea da planta nas quantidades ideias, e a adubação foliar resolve esta questão.
  • Melhora a resistência das plantas, pela administração de fertilizantes que agem no equilíbrio químico e biológico a nível de cutícula, tais como biofertilizantes e cálcio.
Foto de Foto de Marco Verch

Apesar de que em cultivos comerciais a adubação foliar acaba restrita a plantas de alto valor e apenas a algumas espécies, nós podemos melhorar o desempenho geral do nosso jardim aplicando fertilizantes foliares para suprir necessidades de nutrientes em ocasiões de muita demanda (fase de crescimento e floração), ou para corrigir rapidamente deficiências nutricionais, além de ser uma excelente via de reposição de micronutrientes para todas as plantas do jardim, pomar e horta.

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Antes de sair pulverizando as plantas com essa nova descoberta é importante que conheçamos os dois principais mecanismos de absorção de nutrientes via foliar:

  1. Os estômatos (as estruturas que se encontram na parte inferior das folhas e são responsáveis pela transpiração e trocas gasosas) são os responsáveis pela maior parte da absorção dos nutrientes, uma vez que funcionam como poros, e permitem a entrada de líquidos devido à pressão negativa gerada durante a transpiração.
  2. A própria cutícula que recobre as folhas, que quando hidratada, permite a passagem dos nutrientes. Ela possui uma camada de cera que a recobre e protege, sendo predominantemente hidrorepelente, mas em certas condições, se torna permeável à água e às soluções de adubo.

Via de regra, as pulverizações foliares visam suprir as necessidades de micronutrientes como Zn, Fe, Mn, Cu, B, para suplementar, corrigir ou prevenir problemas nutricionais específicos das plantas. No entanto, pensar apenas nos micronutrientes pode ser limitante, pois o cálcio, o magnésio, o nitrogênio e outros macronutrientes são também absorvidos pelas folhas e devem ser usados no controle de deficiências.

Assim, podemos pensar em diversas formas de melhorar a absorção dos nutrientes pelas plantas. Uma dessas formas é através da adição de substâncias específicas tais como:

  • Espalhantes: São substâncias surfactantes, como detergentes. Eles diminuem a tensão superificial da gota, aumentando a superfície de contato, além de facilitar a penetração na cutícula.
  • Molhantes: Agem ampliando a adesão molecular da solução fertilizante com a cutícula.
  • Adesivos: Além de melhorar ainda mais a adesão, reduzem o escorrimento e consequente perda do produto.
  • Umectantes: Que mantém a solução líquida por mais tempo, dificultando a evaporação.

Além da adição destes elementos na solução, devemos pensar na sua concentração. Cada espécie de planta possui uma tolerância e um nível ideal para cada um dos nutrientes. Quando vamos fazer uma aplicação inespecífica, como em um jardim, é preferível aplicar de forma mais diluída e por mais vezes, a aplicações muito concentradas que possam queimar algumas espécies.

Considerando ainda a calda nutritiva, devemos levar em consideração o seu pH. Cada nutriente utilizado na calda, em cada uma das suas formas comerciais, possui um nível ideal de pH, em que sua absorção é maior. Este pH deve ser observado quando vamos aplicar apenas um nutriente por vez, como quando aplicamos Cálcio ou Silício, para termos benefícios específicos. No entanto, na maior parte das vezes a aplicação é de um mix de nutrientes. Neste caso, a faixa ideal de pH fica entre 5 e 6, pois nesta faixa estão compreendidas a absorção ótima da grande maioria dos nutrientes. Abaixo uma tabela de nutrientes e seu respectivo pH ideal de absorção:

 

Fertilizante pH ideal de absorção
Uréia 5 a 8
Fosfato De Sódio 3 a 6
Fosfato De Potássio 7 a 10
Boro 7 a 8
Zinco 7 a 8
Cálcio 4 e 5

Evite realizar você mesmo a mistura de diferentes nutrientes e substâncias na aplicação da fertilização foliar. Prefira adquirir misturas prontas e equilibradas, de marcas idôneas. Muitas substâncias são incompatíveis entre si e podem formar substâncias fitotóxicas ou precipitados que impedem as pulverizações. A mistura com defensivos também não é indicada, salvo orientação de um engenheiro agrônomo que saiba equilibrar bem a mistura. Este é um caso onde não é muito aconselhável “matar dois coelhos com uma cajadada só”.

Algumas pessoas argumentam que a adubação foliar é muito cara, e realmente os adubos precisam ser muito puros e perfeitamente solúveis, o que encarece os produtos. Alguns são adicionados de quelatos que melhoram muito a absorção, de horas para poucos minutos. Além disso, os quelatos favorecem a translocação dos nutrientes, ou seja, eles circulam de uma forma muito mais rápida dentro do organismo vegetal. Outros produtos contém algas e aminoácidos como substâncias ativas que entram no metabolismo da planta e tem um efeito muito positivo na síntese de carboidratos, proteínas e outros compostos, e agem também na proteção da planta contra pragas e doenças.

No entanto, devemos lembrar que esta é uma adubação complementar, e geralmente utilizada em quantidades pequenas. O nosso jardim é muitas vezes um tesouro, um paraíso particular, que não tem o objetivo de obter o maio lucro sobre o menor custo. Ele tem um valor agregado muito maior do que uma lavoura, que inclui além do valor imobiliário, o estético e o afetivo. Um pequeno pote de um bom adubo Premium de uso foliar, que poderá ser utilizado diversas vezes, terá seu custo diluído e recompensado por plantas saudáveis e bonitas. Lembre-se de utilizar sempre as diluições recomendadas na embalagem de cada produto, e se você errar, que seja sempre para menos. Os excessos podem ser fatais. Outro erro frequente é dissolver adubos comuns e aplicá-los via foliar. Além de perigosa para as plantas, essa prática é inadequada e ineficiente e pode resultar em plantas queimadas e pulverizadores estragados. Utilize sempre adubos próprios para aplicação foliar ou de aplicação mista.

Por último, e não menos importante, devemos levar em consideração as condições ambientais para uma boa absorção dos nutrientes. Como vimos anteriormente a evapotranspiração facilita a absorção dos adubos através dos estômatos. Assim, devemos considerar que a luz e o calor facilitam o processo. Evite porém aplicar nas horas mais quentes do dia, quando um possível efeito fitotóxico da calda será muito maior. A temperatura não deve ser maior que 30ºC. A melhor hora para aplicação é pela manhã. Os ventos e o tempo seco também são desfavoráveis, pois secam as pequenas gotículas da calda e derrubam elas das folhas. A umidade deve estar sempre acima de 60%, e os ventos não devem ultrapassar os 10km/hora.

Não queremos também que a chuva lave o adubo que acabamos de aplicar, portanto, fique de olho na previsão do tempo. Os adubos podem precisar de 24 horas ou mais para que sejam absorvidos em pelos menos 50%. Jamais aplique sobre plantas desidratadas. Equilibre a hidratação das plantas com uma boa rega ou espere a chuva passar. No dia seguinte, quando as folhas já estiverem secas podemos proceder a aplicação de fertilizantes via foliar.

Sempre utilize pulverizadores exclusivos para este fim, com bons bicos. Gotas muito grandes de pulverizadores grosseiros podem agir como uma lupa, e provocar queimaduras nas folhas. Na contra mão, gotas minúsculas serão levadas pelo vento (deriva), além de secarem muito depressa. Lave os pulverizadores muito bem antes e depois do uso. Eles podem ser desde simples pulverizadores manuais, até grandes pulverizadores costais, com pressão acumulada, para áreas maiores. Em uma estufa, você pode administrar os adubos em pulverizadores previamente instalados e colocados sobre as plantas, que fornecem hidratação e fertilizantes de forma regular, em pequenas doses.

Na hora de pulverizar, pense em tentar pulverizar tanto na superfície inferior quanto a superior da folha, quando possível, facilitando, assim, a absorção pelos dois lados da folha, ou seja, via estômatos e via cutícula. Aplique de forma que o fertilizante não escorra ou pingue. O excesso prejudica a absorção e provoca o desperdício.

Apesar de que discorremos mais sobre adubos químicos solúveis, mais tradicionais, não negligencie a adubação foliar orgânica, principalmente se você gosta de plantar hortaliças e frutas de forma orgânica. A utilização de biofertilizante, resultante da compostagem anaeróbica de esterco ou o produzido no minhocário, etc, é rico em nutrientes e substâncias húmicas ativas no metabolismo das plantas. Ele pode ser aplicado, da mesma forma que os adubos químicos, e terá um efeito nutriente, estimulante do desenvolvimento, equilibrante e protetor nas plantas.

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