O Bichinho da Goiaba

Mosca-das-frutas
Anastrepha fraterculus durante oviposição
Foto: Bisotto

Lembra do bichinho da goiaba? Pois é. Aparentemente pode estar se tornando um problema para os paisagistas.

O bicho da goiaba é conhecido popularmente como mosca-das-frutas. São insetos da ordem Diptera, da família Tephritidae. No Brasil existem apenas quatro gêneros que chegam a causar danos. Os Gêneros Rhagolethis e Bactrocera ocorrem somente em algumas regiões ou em algumas frutíferas. O Gênero Ceratitis é o único exótico com apenas uma espécie descrita no Brasil, conhecida como mosca-do-mediterrâneo (Ceratitia capitata). O Gênero mais expressivo com 95 espécies em todo o país é Anastrepha. No RS a espécie A. fraterculus é a mais encontrada.

A fêmea oviposita nos frutos e a larva se alimenta da polpa causando um desbalanço hormonal violento e culminando com a queda precoce e necrose do fruto na região afetada. Outro problema é que o gênero Anastrepha possui muitas espécies descritas como pragas quarentenárias em muitos países importadores, o que impossibilita a exportação de frutos para consumo “in natura”.

Mas onde entram os paisagistas nesta história toda?

Recentemente, têm se tornado moda o uso de frutíferas nativas da família Myrtaceae – como pitangas, araçás, feijoas e murtas – em projetos de paisagismo. Em muitas empresas que atuam no RS com frutos, como maçãs e uva, é normal se encontrar grandes jardins circundando a sede administrativa ou então os centros de vivência dos funcionários com muitas árvores frutíferas. Ao lado de pomares de maçãs, pêssegos ou de vinhedos convivem um montante enorme de mirtáceas. Sim, é bonito. Mas pode ser um grande problema.

As frutíferas da família Myrtaceae são hospedeiras de moscas-das-frutas, principalmente do gênero Anastrepha. Então devemos cuidar para não trazer plantas que possam ser hospedeiras para as moscas em épocas em que não encontramos a fruta principal no campo. É um refúgio tentador para os insetos indesejáveis.

Muitos agrônomos recomendam cortar as mirtáceas do entorno dos pomares. Eu costumo dizer que o paisagista é um artista e que o jardim é sua obra de arte. Agora, você consegue imaginar um moleque com um pincel atômico pintando um óculos e um bigode na Mona Lisa? Seria mais ou menos isso que aconteceria se uma árvore fosse cortada do jardim que o paisagista projetou.

Mosca-das-frutas
Anastrepha fraterculus durante oviposição
Foto: Bisotto

Para se evitar esse tipo de situação, devemos estar atentos com o seguinte: há pomares comerciais próximos ao jardim? Se há, tem mão-de-obra para coletar diariamente os frutos que caírem no chão?

Em estudos realizados no Bioecolab, na Faculdade de Agronomia da UFRGS, se pode observar que em araçás, por exemplo, se têm até cinco pupários (fase de casulo da mosca) por fruto. Uma infestação enorme.

Mas não somente moscas encontramos nos frutos. Encontramos também alguns inimigos naturais: os parasitóides (microhimenopteros – vespinhas – que na fase de larva se alimentam da larva ou da pupa da mosca). Para se manter os parasitóides dentro da área, podemos juntar os frutos do chão e colocá-los em um tonel com areia no fundo e com uma tela emcima. A tela de porosidade média impede a saída da mosca e favorece a saída do inimigo.

Então, se há mão-de-obra para o recolhimento dos frutos, o jardim pode contar com as frutíferas nativas, e pode ser embelezado com essas que são belas árvores com trocos que podem ser escaladas por crianças ou que podem fornecer frutos deliciosos. Mas se não houver pessoal para recolhimento ou for uma área de risco para algum pomar, então é melhor trocar por alguma outra árvore.

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