Erva-de-passarinho – Struthanthus flexicaulis

A erva-de-passarinho (Struthanthus flexicaulis) é uma planta parasita, da família Loranthaceae e uma das espécies de erva-de-passarinho mais comuns no Brasil, atingindo diferentes tipos de árvores hospedeiras, tanto no meio urbano como rural. Apesar do nome erva-de-passarinho englobar diferentes espécies de ervas parasitas, de diversos gêneros e famílias, ele será usado neste artigo para denominar a espécie S. flexicaulis, para fins práticos e didáticos, por ser esta uma das espécie mais comuns afetando as plantas em jardins. O nome popular se deve ao fato de que sua dispersão se dá por passarinhos, que ingerem os frutos das plantas e defecam ou regurgitam as sementes sobre as árvores hospedeiras. Logo que germinam, as sementes emitem um tipo especial de raiz, chamada haustorium, uma estrutura capaz de invadir os tecidos vasculares de outras espécies de plantas e sugar seiva bruta e elaborada. A erva-de-passarinho é considerada epiparasita, por ser encontrada geralmente sobre os ramos das árvores e arbustos, e hemiparasita, por que é capaz de fazer fotossíntese, retirando cerca de 60% da sua necessidade de energia dos hospedeiros.

A erva-de-passarinho em questão, possui ramos finos, longos e flageliformes que envolvem os galhos e tronco da planta hospedeira e emitem novas raízes espaçadamente. Com este longos ramos, elas também são capazes de afetar as árvores vizinhas à hospedeira inicial. Apresenta folhas oblongo-obovaladas, alternas, coriáceas e brilhantes. As flores são pequenas, discretas, hermafroditas, de cor verde clara a creme, e os frutos que se seguem são bagas alaranjadas ou amarelas, pequenas, globulares a elipsóides, com uma ou duas sementes. A polpa dos frutos é pegajosa, o que facilita a aderência das sementes aos ramos do hospedeiro. Os frutos são avidamente ingeridos pelos passarinhos.

Erva-de-passarinho entrelaçando os ramos do hospedeiro. Foto de Mauricio Mercadante.
Erva-de-passarinho entrelaçando os ramos do hospedeiro. Foto de Mauricio Mercadante.
Com o desenvolvimento da erva-de-passarinho, a planta hospedeira vai gradativamente definhando, sufocada pelo sombreamento e pelo roubo de água e nutrientes. Se é uma planta frutífera, ela perde em produtividade e qualidade dos frutos. Afeta com bastante frequencia árvores cítricas em geral, como laranjeiras, limoeiros, além de pessegueiros, mangueiras, macieiras, alfeneiros, casuarinas, ciprestes, bouganvíleas, azaléias e tipuanas. Os ramos ficam fracos e suscetíveis à quebra e ataque de pragas e doenças. A árvore ou arbusto entra em declínio que invariavelmente levará a morte prematura se não for tratada a tempo.

O controle da erva-de-passarinho é bastante difícil, visto que a remoção da planta parasita é toda manual, arrancando um por um todos os ramos que estão sobre a planta hospedeira. Ainda assim, há sempre grande chance de rebrote em todos os locais onde possam ter ficado raízes. Muitas vezes uma raspagem ou poda pode ser necessária. A erva-de-passarinho tem grande poder de se regenerar se permanecerem raízes viáveis sobre o hospedeiro, portanto, o trabalho de remoção deve ser cuidadoso. O ideal é sempre identificar a erva-de-passarinho no início, quando é mais fácil realizar a limpeza das plantas e elas ainda não sofreram danos consideráveis.

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Medicinal:

  • Indicações: Afecções respiratórias, bronquite, doenças do útero, dor no peito, hemoptise, hemorragia, pleurisia, pneumonia, pontada
  • Propriedades: Adstringente
  • Partes Utilizadas: Folhas

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  • Eduardo Moreira da Rosa

    Tenho notado que a erva de passarinho ataca normalmente espécies exóticas,mas de uns tempos pra cá , já presenciei o ataque em espécie nativas.
    Precisamos criar um controle biológico urgente deste parasita,pois está se propagando en muitas regiões.
    Eu costumo retirar com catação manual e depois queimar a erva de passarinho,pra garantir que não se propague.
    Muito bom tema..
    Parabéns !!!

  • CARLOS ANTONIO SANTOS RIBEIRO

    Muito interessante também frisar que na minha chácara observei que a planta é suicida, pois quando mata a hospedeira ela imediatamente morre também.
    Quando eliminada precisa ser queimada.
    Quando cresce tem que podar, sem dó, a hospedeira.

  • Maria Helena

    Esta planta é uma verdadeira praga no pomar! Dificilima de erradicar, especialmente quando ataca copas das mangueiras, das jabuticabeiras e outras arvores frondosas. O certo realmente é tentar retirar as primeiras folhas que aparecem,antes de formar os “nós” que aderem aos ramos, o que é muito difícil. A gente tem que andar pelo pomar todos os dias olhando pra cima, para identificá-la o quanto antes. Já perdi muitas arvores por causa dessa intrusa. Se existisse uma outra fórmula para erradicá-la seria o ideal. E fica ainda mais dificil quando se tem muitos passarinhos na propriedade, o que é meu caso. Sou uma defensora ferrenha do meio ambiente e tento preservar ao máximo, evitando quanto posso o uso de produtos herbicidas. E fico triste quando percebo que um pequeno descuido me levou embora uma arvore já formada ao longo de muitos anos! Mas essa plantinha…………………..

  • Antonio Luiz Ferreira

    Há mais de 40 anos luto contra essa praga.Parece que somente em plantas em bom estado fitossanitário essa invasora se acomoda, tornando-se logo , logo ,maior mesmo que a hospedeira. O combate a essa parasita é realmente muito difícil pois seus haustorium penetram profundamente na planta hospedeira, causando, quase sempre , a necessidade de remoção do galho atacado.