Paisagismo Sustentável – Recuperação de Ambientes

pássaros no ninho
Uma simples palmeira com pecíolos remanescente pode servir como local para nidificação. Foto de Kristin Klein
O desenvolvimento de locais edificáveis em geral prejudica a ecologia local, plantas nativas e populações animais regionais. Já as áreas preservadas fornecem importantes serviços naturais, como um controle da água da chuva mais eficiente e natural. O dano ecológico pode ser minimizado ao se restaurar a vegetação e outros itens ecológicos apropriados, o que fornece um habitat mais adequado para a fauna local.

Esses outros itens são elementos naturais além da vegetação, que ajudam a manter ou restaurar a integridade ecológica de um local. Eles podem ser corpos de água, pedras expostas, troncos, piso de terra ou outros itens que fazem parte do paisagismo local e que ajudam a enriquecer o ambiente e desta forma favorecem a recuperação da fauna.

Estabelecer limites restritos à construção reduz o dano e ajuda a preservar a vida selvagem local e corredores de migração. Para projetos de escolas, por exemplo, conectar o edifício escolar à paisagem histórica natural fornece uma grande oportunidade para os alunos de aprendizado fora da sala de aula.

Telhado verde da Islandia
Telhado verde tradicional da Islândia em uma casa moderna. Foto de Thomas Quine
A vegetação nativa ou adaptada às condições locais requer menos manutenção do que plantas introduzidas e reduz o custo ao longo do tempo, minimizando a necessidade de pesticidas, fertilizantes e irrigação. Em muitos casos, árvores e plantas trazidas de outras regiões são mais caras e podem não sobreviver ao transplante. Árvores adicionais para substituir as perdidas, e outros itens de paisagismo, bem como a remediação do solo e da água, podem aumentar muito os custos iniciais. Para distribuir esses custos ao longo do tempo, pode ser mais vantajoso implantar a restauração em fases. O plantio localizado em áreas estratégicas pode sombrear as paredes, lajes e telhados de um edifício e do seu entorno, o que traz uma significativa redução no uso do ar condicionado, reduzindo consequentemente os custos com energia. Se forem usados telhados verdes como parte do projeto, os custos podem cair ainda mais devido às propriedades de absorção de calor destes telhados.

A proteção ou recuperação do habitat natural fornece também áreas abertas permeáveis, o que minimiza o escoamento excessivo de água da chuva para o sistema de esgoto, além de minimizar também o efeito ilha de calor, causado pelas superfícies impermeáveis. A ilha de calor acontece quando existe muita área impermeável exposta ao tempo, que reflete o calor no ambiente, elevando a temperatura em ate 8ºC. Isso acontece principalmente em áreas urbanas centrais de cidades grandes, onde há pouco verde, mas muitas áreas pavimentadas e alta densidade de prédios, carros e pessoas. Como o ambiente externo aquece, o equipamento de ar condicionado precisa trabalhar sobrecarregado para compensar esse calor. Se o edifício tiver uma solução como teto verde, esse efeito fica sensivelmente minimizado, colaborando para a economia de energia e o bem estar dos ocupantes.

Para implantar essas soluções, precisamos preservar e valorizar elementos nativos, como ecossistemas, corpos aquáticos, condições do solo, árvores, entre outras vegetações. Identificar oportunidades de melhoria no local que possam aumentar a área de plantas nativas ou adaptadas e outros itens ecológicos já descritos.

O uso da monocultura não contribui para a recuperação ambiental. A recuperação e manutenção da paisagem podem incluir a remoção de áreas pavimentadas desnecessárias e substituí-las por áreas permeáveis ou naturais, com áreas de plantas rasteiras, como gramados e forrações, combinadas com outras plantas para promover a biodiversidade.

Para áreas urbanas, com reduzidas oportunidades de paisagismo, deve-se considerar a instalação de jardins verticais e de telhados verdes, que servem também como praça e local para fumantes.

Telhado Verde da Prefeitura de Chicago. Foto de  Tony the Tiger
Telhado Verde da Prefeitura de Chicago. Foto de Tony the Tiger

É responsabilidade do paisagista selecionar as espécies nativas, adaptadas e não invasivas, pesquisar os tipos de insetos e aves nativos e usar plantas que fornecem alimento, proteção e áreas para ninhos. Telhados verdes que não oferecem essas condições não atendem as exigências das certificações.

Prédio espelhado
Cuidado ao plantar no entorno de prédios espelhados. Foto de Wonderlane
Para paisagismo ao redor do edifício, o profissional deve considerar também a interferência que a construção pode ter nos hábitos das aves. Por exemplo, um edifício com fachada de vidro que reflete uma árvore posicionada em frente, pode criar problemas de vôo, dando a impressão de ter duas árvores, quando na verdade só se tem uma. A confusão causada nas aves, provoca choques contra o vidro, que muitas vezes resulta na morte das aves. É fundamental que o profissional conheça e discuta o projeto com a equipe para elaborar um paisagismo que atenda as necessidades gerais. Nesses casos, é melhor colocar a planta a menos de 1m do edifício ou longe o suficiente para evitar o reflexo.

O calculo da área a ser preservada para um edifício pode ser feito de duas formas:

  • 50% da área total, excluindo a projeção do edifício ou
  • 20% da área total, incluindo a projeção do edifício.

O paisagista precisa providenciar a documentação específica, com projetos que demarcam claramente as áreas de recuperação e/ou preservação e listar as plantas nativas a serem utilizadas. Naturalmente, as plantas nativas variam entre as regiões, então leve em consideração esse dado. A mesma planta que é nativa no nordeste pode não ser no sul do país. Pesquise, conheça, aprenda.

Nós lidamos com a vida, não só de humanos, mas outras vidas estão em nossas mãos. Essa é a beleza do nosso trabalho.

Um abraço verde

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