Escrito em setembro 29, 2008 em Flores e Folhagens por Raquel Patro10 Comentários »

Bom dia e obrigado por manter esse canal de comunicação, que possibilita a leigos como eu entrar em contato com a jardinagem.

Gostaria de saber porque meus vasos de plantas ficam com a terra compactada como se uma crosta se formasse em cima da terra. Parece que eu apertei demais quando plantei, é isso?
Como devo fazer na hora de plantar ou trocar de vaso?

Alexandre

É normal a terra do vaso se compactar com o tempo. Por este e por outros motivos recomenda-se o replantio de tempos em tempos. No entanto, há muitas formas de prolongar o período entre os replantios e prevenir essa compactação, tão prejudicial às plantas.

Plantas nos vasos A compactação do substrato nos vasos ocorre principalmente no momento do plantio e pela ação da água das regas, que gradativamente vai “assentando” a terra. A compactação dificulta o crescimento das raízes e a drenagem perfeita do vaso, além disso torna-se mais complicado fazer com que a água das regas se distribuia uniformemente pelo solo. Isso acontece por que o torrão de terra compactada torna-se difícil de ser permeado pela água. Desta forma, todo o sistema vivo que envolve as raízes fica prejudicado. Devido à má-drenagem a água estagnada impede a aeração do solo, mudando completamente sua microbiota, favorecento bactérias anaeróbicas e eliminando os organismos aeróbicos. O inverso também é prejudicial, um torrão seco, difícil de irrigar, pode provocar a morte das raízes em alguns locais, além dos microoganismos benéficos. Isso sem falar nas minhocas, tão dependentes da boa umidade da terra.

Os dois problemas opostos ocorrem no mesmo vaso, pois quando chove, a água fica dias estagnada e depois que essa água seca, torna-se difícil irrigar o solo duro.

Para evitar a compactação é preciso dar estrutura ao solo. Esse condicionamento pode ser dado através da adição de elementos importantes na mistura do substrato. A areia e a matéria orgânica têm esse efeito. O grão de areia, por ser maior que um grão de argila, deixa espaços maiores entre os grãos, estruturando o solo, permitindo que a água infiltre, favorecendo assim a distribuição da água e sua perfeita drenagem, além da aeração.

Além de fertilizar o solo, liberando nutrientes essenciais como Nitrogênio, Fósforo, Potássio e micronutrientes, a matéria orgânica também tem a capacidade de manter o solo estruturado, prevenindo a compactação. No entanto, essa capacidade varia muito de um material para outro. Materiais de rápida decomposição, liberam boa quantidade de nutrientes rapidamente, mas logo perdem a capacidade de condicionar o solo. Já materiais de decomposição mais lenta são mais interessantes para condicionar o solo a longo prazo, embora não sejam tão ricos em nutrientes.

O equilíbrio entre estes elementos combinado com as necessidades da espécie que estamos plantando é o que devemos buscar na hora de fazer a mistura do substrato. A mistura geralmente contém partes de areia, argila e matéria orgânica, em diferentes proporções. Um erro bastante comum é a utilização de terra de jardim apenas, para o cultivo em vasos. A mistura com areia, para uma boa estrutura e drenagem é imprescindível.

Fontes de matéria orgânica:

  • Terra preta ou vegetal ou composto orgânico doméstico
  • Húmus de minhoca
  • Casca de arroz carbonizado
  • Turfa
  • Fibra e pó de côco (boa ação estruturante)
  • Tortas, estercos curtidos e farinhas devem ser considerados adubos e entram em proporção menor nas misturas.

A mistura básica, utilizada para a maioria das plantas ornamentais, consiste de uma parte de areia, uma de terra vegetal e uma de terra comum de jardim. Mas não esqueça das particularidades das espécies. Orquídeas, bromélias e samambaias, por exemplo, necessitam de um substrato especial, permeável, mas capaz de reter bastante umidade. Já os cactos e suculentas precisam de solos muito bem drenáveis e com pouca argila.

Além de uma boa mistura, o substrato deve ser protegido, simulando um solo naturalmente estruturando, com uma boa cobertura por cima. Esta cobertura pode ser viva ou morta. A cobertura é viva quando plantamos alguma espécie rasteira no entorno do vaso e é morta quando adicionamos folhas secas, casca de pinus ou palha sobre o solo descoberto. Essa cobertura ou forração têm um papel importante na manutenção da estrutura e do equilíbrio do vaso. Ela protege o substrato da ação erosiva da água, das mudanças bruscas de temperatura, evita a perda excessiva de umidade e favorece a microbiota do solo.

As regas também podem ser modificadas para reduzir a compactação. Regas por capilaridade, aspersão e gotejamento são mais indicadas neste caso. Os jatos fortes de água sob pressão da mangueira podem destruir a estrutura do solo rapidamente e devem ser evitados.

Foto de Marcus

Escrito em setembro 4, 2008 em Cercas Vivas e Arbustos, Pragas e Doenças por Raquel Patro2 Comentários »

É bastante freqüente o número de leitores que enviam dúvidas a respeito de Cicas (Cycas revoluta). Os problemas são diversos, muitas vezes envolvem pragas, doenças, carências ou excessos de adubos e irrigação. Estas injúrias geralmente acarretam em sintomas foliares, e o diagnóstico correto pode ajudar a corrigir o problema e salvar sua Cica.

Por este motivo, resolvi fazer um breve resumo dos problemas mais freqüentes das Cicas e suas causas:

  • Pontos brancos ou amarelos nas folhas, escamas cerosas ou algodonosas, teias finas. Causa: Cochonillhas, aranha-vermelha ou fungos (Alternaria ou Cercospora). É um dos problemas mais freqüentes em Cicas, geralmente é causada por excesso de regas, combinada com falta de luminosidade e drenagem deficiente.
  • Folhas com extremidades amarronzadas ou queimadas. Causa: Ventilação insuficiente. Mude a planta para um local mais ventilado.
  • Cycas revoluta As folhas perdem a cor e secam. Causa: Falta de luminosidade, frio ou excesso de umidade.
  • Folhas com extensas manchas descoloridas. Causa: Congelamento por geadas, neve ou frio intenso. Neste caso é melhor prevenir, protegendo a planta com mantas ou plásticos. A planta emitirá novas folhas saudáveis na primavera e verão.
  • Folhas jovens e brotações novas amarelando. Causa: Adubação em excesso ou substrato muito pobre em nutrientes.
  • Folhas adultas, inferiores, amarelando. Causa: Adubação ou irrigação demasiada.
  • Queimaduras nas folhas. Causa: Mudança muito brusca de luminosidade e umidade. Geralmente quando a planta sai de um viveiro sombreado ou de ambientes internos e a colocamos sob sol pleno. Agroquímicos aplicados sob sol quente também podem provocar queimaduras nas folhas.
  • Pequenas manchas amarelas e extremidades das folhas secas. Causa: Carência de potássio (K). Neste caso convém aplicar uma suplementação com cinzas (sem sal) ou adubos químicos ricos neste elemento.
  • Folhas jovens retorcidas. Causa: Falta de luminosidade.
  • Folhas jovens retorcidas e folhas velhas com pontos brancos e pretos. Causa: Doença viral – nepovírus (mosaico). Não há cura.
  • Escamas do tronco caindo, bolinhas cor-de-café pulvurulentas no tronco. Causa: Ataque de cupins. A aplicação de inseticidas específicos nos túneis, seguido de ensacamanto da planta (impede que os cupins fujam e auxilia na ação do produto).

As Cicas também não apreciam regas por aspersão nas folhas. O ideal é que se regue apenas a terra no entorno da planta e sempre se espere secar bem entre as regas, pois é uma planta de clima seco e muito sensível ao excesso de umidade.

Um diagnóstico preciso somente poderá ser realizado por um engenheiro agrônomo, assim como a melhor recomendação para solucionar o problema.

Foto de Andrew.