A Arte da Topiaria

A palavra topiaria, vem do latim topiarius e significa “a arte de adornar os jardins”. A topiaria é uma técnica avançada de jardinagem que tem por objetivo dar formas esculturais às plantas, de acordo o desejo do jardineiro. É uma arte antiga, sua origem remonta a 500 A.C, onde foi explorada nos jardins suspensos da Babilônia, com os primeiros jardins intensamente trabalhados pelo homem.

Topiaria em jardim francês
Jardim de Estilo Francês
Foto: Michele Schaffer

Sendo uma arte sofisticada, sua presença no paisagismo, está historicamente relacioanada com a nobreza e o clero. Presente no jardins palacianos da Roma antiga, a arte atravessou os séculos nos monastérios e castelos medievais, e retornou com grande pompa e popularidade no renascimento, sendo elemento constante nos jardins formais ingleses, holandeses, italianos e principalmente nos franceses.

Com a revolução paisagística provocada pelos jardins informais ingleses, no século XVIII, a topiaria perdeu sua força. No Brasil, os jardins tropicais de Burle Marx também eram avessos às topiarias, assim como qualquer técnica que modificasse a forma natural das plantas. Mas a topiaria sobreviveu à estas intempéries, mesmo sendo rotulada de cafona e antiquada. Ela ressurgiu nos jardins contemporâneos e minimalistas, com formas geométricas simples ou abstratas, que conferem modernidade aos ambientes. Nos jardins orientais elas também são bem vindas, desde que tenham formas naturais de plantas, à semelhança da arte bonsai.

Topiaria em Jardim Oriental
Topiaria em Jardim Oriental
Foto: Nancy McClure

Com a nova técnica stuffed, desenvolvida pelos americanos na década de 60, que utiliza suportes revestidos com trepadeiras, ervas e gramíneas, novas formas se tornaram possíveis, com maior variedade nas cores e texturas das esculturas. A topiaria feita desta forma é muito mais prática e rápida de ser realizada e tornou-se popular mundialmente através dos jardins dos parques Walt Disney. Ainda assim ela não deixou de ser uma arte que exige paciência e detalhismo.

A técnica de topiaria com podas exige alguns cuidados, para que o objetivo final seja alcançado. Apesar de diversas formas serem permitidas, há que ter o cuidado de que não existam áreas negativas e côncavas, ou que elas sejam pouco profundas, isto é, nenhuma parte da planta deve ficar sem iluminação direta do sol. A partir deste princípio, pode-se concluir que a base das esculturas deve ser mais larga que o topo, para evitar áreas falhadas. As formas cônicas e espirais são então as mais simples e fáceis de realizar com perfeição.

Topiaria Stuffed
Borboleta pela técnica Stuffed
Foto: Andrew Kuchling

Apesar de muitas plantas arbustivas se prestarem à topiaria, há algumas espécies mais indicadas para a realização da técnica com poda, como o buxinho (Buxus sempervirens), podocarpo (Podocarpus macrophyllus), tuias, cipreste (Cupressus coccinea), teixo (Taxus baccata), ligustro (Ligustrum sinense), azaléia (Rhododendron simsii), oleagno (Elaeagnus pungens), ficus (Ficus benjamina), viburno (Viburnum prunifolium), murta (Murraya paniculata) e pitósporo (Pittosporum tobira). As características que estas plantas têm em comum e que muitas vezes são ignoradas incluem:

  • crescimento lento a moderado,
  • longevidade,
  • folhas firmes (coriáceas a duras) e perenes,
  • tolerância a podas freqüentes,
  • folhagem naturalmente ramificada e compacta.

As podas devem ser realizadas desde quando a planta é jovem, para que ela vá adquirinho tolerância ao manejo, além da forma densa, pelo estímulo a ramificação provocado pelas podas. A forma neste momento é importante, mas o detalhamento pode ser deixado para os anos subseqüentes. A época ideal para as podas é no final do inverno e no início do verão. Arbustos floríferos devem ser podados somente após a floração, para não prejudicar o florescimento.

Topiaria em Cone
Formas cônicas são bonitas e fáceis de manter
Foto: May Race

Podas realizadas no outono ou final do verão, irão estimular o crescimento de novos ramos e estes não terão tempo de se prepar para o inverno que se aproxima. As podas de limpeza, de galhos doentes e mal formados, podem ser realizadas a qualquer tempo, e as podas drásticas devem ser evitadas pois debilitam muito as plantas, podendo ocasionar a sua morte.

O material necessário a topiaria é muito simples. Basta uma boa tesoura corta sebes (do tipo longa, leve e ligeira), com cabo emborrachado e confortável e batentes de borracha que absorvam o impacto. A tesoura deve estar sempre bem afiada, além de esterilizada entre uma planta e outra, de forma a evitar a propagação de doenças. Arames e fios de nylon podem ser necessários, para corrigir alguns ramos mais rebeldes.

Na técnica stuffed, os suportes são os protagonistas da forma, e devem ser de material resistente e durável. Nesta técnica de topiaria, diferentemente das topiarias exclusivamnte com podas, pode-se formar esculturas de plantas em áreas semi-sombreadas, dependendo das espécies escolhidas. Diversos tipos de plantas são permitidos, desde trepadeiras (heras e unha-de-gato são as mais comuns), até gramíneas, forrações diversas, flores e folhagens. Os substratos devem ser bem estruturados com espumas e fibras naturais, como cipós, esfagno e fibra de côco.

Topiaria Stuffed
Panda sendo podado (técnica Stuffed)
Foto: Andrew Kuchling

Independente da técnica escolhida, não pode faltar o cuidado básico com as espécies escolhidas. Como se trata de uma técnica avançada, pressupõe-se que outros aspectos da jardinagem já estejam dominados, como a preparação do substrato, o plantio, adubação, irrigação e drenagem, iluminação, ventilação, defesa contra pragas e doenças, além dos requisitos próprios de cada espécie.

Se você deseja apreciar um pouco mais desta arte no Brasil, recomendo a visitação a algumas cidades que se destacam na topiaria, atraindo muitos visitantes, como Batatais em São Paulo, Monte Sião em Minas Gerais e Victor Graeff no Rio Grande do Sul.

Texto: Raquel Patro

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